14 setembro 2015

Releituras de mim


Enxugando os prantos na poesia nascente (parte II)
(André Anlub - 15/4/14)

Os homens levaram a melhor, restauraram sem piedade os próprios corações... as nuvens, no gritante azul piscina do céu, ficaram devidamente alinhadas.
Aqui, ali, todos esqueceram que previram a tempestade que jamais se formou; vestes novas, bebidas aos litros e litros, frutas raras e frescas abocanhadas... e nas madrugadas uma surreal lua fluorescente. Como plano de fundo: casais e seus calorosos corpos colados, sorrisos aos montes e seus extensos beijos; no plano mais à frente: crianças corriam felizes, brincavam com brinquedos de madeira e não se fantasiavam de adultos... e não aconteceu o absurdo das águas se tornarem doces e estragarem os dentes. Aqui, ali, a mais completada ordem; muros e rostos pintados com coloridos belos, sem o grafite nervoso da política e o esboço de um papel impiedoso. Em breve os cárceres seriam demolidos, pois jamais tiveram serventia...
Museus de coisas que não existiram... expostos à revelia. A luta por tudo e a luta por nada, nessa mesma madrugada de lua brilhante. Enfim, todos na espera da alvorada, ainda mais o amor... o sol nascerá irradiador, e de fato de um parto; o cordão umbilical nos dará a chance de alcança-lo de fato... tudo no imaginário – possível – no imaginário.
Aquele menino sabido e dono dele e você, destemido e escrevendo é capaz de inventar; tornar-se-á mais um rugido - gemido – sussurrar... que vai além do planeta, pois é tudo no bom de escrever. Aquela luz lá no alto, voracidade do pensamento, fez de instrumento a aurora que irá ao fim da noite nascer. É assim a pegada que marca cada momento, dedo que sangra no espinho e sozinho cicatriza no tempo. Esse moleque: fez no sonho um gigante e sonhou em ser amado; amou como um amante que honra seu tempo acordado. E o ponteiro vai descendo, vai subindo em pé e deitado...
Cabelos brancos ao vento e só o eco faz som de menino. E o mistério jamais quebrado que quebra o enigma do dia seguinte, fala aos ouvidos ouvintes, fala aos ouvidos largados: - Virão até mim navegantes, virão prostitutas e beatas, trazendo ciências exatas e poemas escritos no escuro. - Todo o absurdo do mundo estará no bolso encurtado, queimando por dentro e por fora um corpo jamais sepultado. Aquele velho sabido que entregou sua ideia ao próximo, deixou cicatrizado no ócio bela tatuagem veemente. Sorriu com todos os dentes agitando a mão como quem vai, e lá na luz com seu pai se fez forte na poesia nascente.

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