23 janeiro 2015

Sujeito e Literatura



Sujeito e Literatura
Marcia Mendes

Há uma relação complexa entre o sujeito, a vida e a literatura. Quando se escreve, conjuga-se com outros fluxos. A escritura é uma obra de linguagem e o autor, em Foucault, consegue controlar uma nova ordem do devir e acaba por anunciar um sistema literário do seu tempo. Um paradoxo porque para Deleuze escrever é devir. Mas é Barthes quem lança luz à questão literária colocando a literatura como o grafo da prática de escrever.

Escrever é um fluxo entre outros, sem nenhum privilégio em relação aos demais e que entra em relação de concorrente, contracorrente, de redemoinho com outros fluxos: de merda, de esperma, de fala, de ação, de erotismo, de dinheiro, de política, etc. (Deleuze, 1992)

Sem querer desastabilizar o pensamento costumeiro, nos domínios da sociolinguistica, literatura, sujeito e sociedade se permeiam.
Permeiam-se também a arte literária e a psicanálise. Ambas têm como instrumento fundamental a narrativa, que é em si ficção. Ambas são criações humanas. Ambas têm um texto. Ambas são oriundas de um desejo. A escritura criativa, e também a psicanálise, permitem que o autor produza subjetividades, ao mesmo tempo que o habilitam a exercer sua singularidade.

Não precisamos nos preocupar muito com isso, pois como muito bem coloca Neruda, escrever é fácil: começa-se com uma letra maiúscula, termina-se com um ponto final e no meio, ah no meio vão as ideias. Que ideias? Eis a grande questão, mas isso é outra história.
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