13 janeiro 2014

AMIGOS DE INFÂNCIA...

Tem vezes que nas esquinas de nossa existência, encontramo-nos com pessoas que trazem frescor ás nossas vidas, tão cheias de cotidianos, por isso, viver é uma aventura surpreendente! Numa delas, encrustada nas Minas Gerais, encontrei-me com uma dessas pessoas especiais, e é dela, através do ecoar, em meus sentidos, de suas palavras, que tenho a mais grata lembrança... Perguntei-lhe se poderia chamá-la de amiga, e sua resposta afirmativa veio carregada de inesperado afeto: - Sim, pois, sinto que somos amigos de infância! Assim, duas pessoas com histórias distintas, de diferentes espaços de tempo, na tessitura das eras, e separadas pela geografia de nosso país continente, se irmanaram... É fato que uma mesma atividade pode aproximar as pessoas, como os gostos e as preferências, e como prega uma boa educação, gentilezas atraem gentilezas... Mas, dai, transformar pessoas até a pouco desconhecidas em amigas, com a sensação de uma amizade construída no período mais áureo de suas vidas, só pode ser uma dádiva vinda dos céus... Nos dias que correm, ligeiros e apressados, parece-me que o contato humano se descaracteriza, que nos transformamos em peças e engrenagens, em meios a buscarem certos fins, e nos esquecemos de que somos gente, com pensamentos e sentimentos! Temo que a técnica, tenha capturado o nosso espirito e amortecido os nossos sentimentos! Mas, o que aproxima as pessoas, e o que as separa: Vontade e medo? Nossa vontade é muitas vezes manipulada pelo tempo midiático, pelo tempo financeiro, em que se enreda nossa existência... E os medos nos povoam da cabeça aos pés! Na correria da vida, poucos se dão ao luxo de vasculhar as próprias entranhas, e destemidamente colocar os seus velhos guardados à mostra... Assim, sonhos são esquecidos, vontades abortadas... E muitas potencialidades já nascem nati-mortas... As nossas crianças já vão se inserindo no cotidiano de suas comunidades, muitas sem a chance de uma infância prazerosa, nossos jovens vão sendo engolidos por modismos, por ondas de consumo tanto poderosas, quanto inescrupulosas... E muitas pessoas em idade adulta parecem deslocadas, no tempo e no espaço, sem achar porto seguro para suas vidas que o tempo desgasta! Desespero-me com estes pensamentos... Certo é que toda generalização é burra e insensata, mas o que vejo a minha volta, se não for apenas um caso de falsa modéstia, são vidas que se prestam apenas a uma precária subsistência... Onde a amizade, o carinho, o amor, quando verdadeiros são artigos raros, e mesmo assim pouco valorizados, são de menor valia. Já há a venda de tais artigos, para quem tem como pagar... E vende-se também ilusões! A consciência humana encontra mais facilmente labirintos para se perder... Por um outro ângulo de visão, estes mesmos labirintos não passam de meios de sobrevivência, diante de um panorama sem esperanças... Assim, é de vontades que carecemos para vencer barreiras! Como também é de medos que vivemos nos escondendo com medo de viver! Nossa sociedade está toda cheia de cercas, câmeras, alarmes, ela está toda armada, num pânico crescente lutando para viver... Estamos deixando de olhar nos olhos um do outro! Deixando de falar o que nos arrebata o coração e o pensamento. E cada vez mais nos enclausurando em quatro paredes, com muros altíssimos, cão de guarda, cerca elétrica! Nos estamos aprisionando as nossas almas... Nós estamos sufocando os nossos corações! Estamos transformando as nossas casas em verdadeiras fortalezas, em guetos, em feudos, onde na maioria das vezes queremos ser reis e rainhas... Não dando a vez aos outros de expressar os próprios sentimentos, os mais profundos pensamentos, estamos arrefecendo a emoção! E vamos para a frente de telas brilhantes, teclar com desconhecidos, que se afeiçoam com nossas palavras, com imagens que talvez não correspondam com a nossa realidade, e nos sentimos mais solitários, mais frios e mais distantes... Vamos a frente da TV, que nos repassa um pensamento mastigado, formas de beleza que não são as nossas... Num instante fala das mazelas de um vivente, e no seguinte quer vender cotas de condomínios! Mostra que a mulher dos outros é melhor do que a nossa! Que certos vícios dá status, é coisa da moda... Divulgam a loucura que uma sociedade espalhou aos quatro ventos... Um medo! Um terror, que a tudo paralisa e cala... E assim, não mais nos olhamos nos olhos, nem ouvimos o que se fala, nem abraçamos, a quem nos agrada... Somos um povo chegado a cercas, a cães, vira- latas de guarda... A bandidos que dizem fazer melhor por nossas comunidades... E nos sentimos mais livres apenas nas linhas de produção das fábricas! Por tudo isso, se eu tiver alguma razão em minhas palavras, que ser amigo de infância de Rita, lá de Teresina, que encontrei a primeira vez em Itabira, Minas Gerais, tem tanta importância e tanta graça; suas palavras resgatam em mim o que prezo e o que credito suma importância: Nossa humanidade! Já, o que nos aproximou são as letras e as palavras... Penso que colhemos um nas letras do outro, um pouco do que falam nossas almas! Edvaldo Rosa Poeta e Escritor

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