19 junho 2011

Dama da casa de todos - poema de Bruno Resende Ramos

A mulher de Trindade anda a dar com os olhos em mim.
Tem a rapariga um sonho que é escapar-se a porteira,
Mas como não creio em sonhos,
Ando só e não faço besteira.

A noiva de Nel Trincheira tem mandado alguns recados.
Quer ficar assim do meu lado na praça dos namorados.
Como o destino é meu dono,
Mando o beijo e sigo o meu cargo.

Neta de Joel do Cerrado gosta de fiar um versado.
Disse que o padroeiro
prometeu-lhe a mim num arrastado.
Como não danço nem rezo, o padroeiro quebrará seu galho.

Dama da casa de todos, jurou-me ser minha amada,
Não cobrou-me nem o dia, nem a saída, nem a entrada.
Afagou-me as dores, deu-me seu tudo de graça
Juntei-a na minha garupa, busquei-a para minha casa.

Quando afastei do caminho, pôs no meu coração brasas,
Tirou-me todos espinhos...
Amou-me como uma fada.

As que queriam minh'alma.
Deitadas vão pelo lodo.
Aprendem a arte da amada
Na casa que é de todos.

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