11 maio 2011

MEU PAI, MEU POETA!


MEU PAI, MEU POETA!
Oswaldo Antônio Begiato

Meu pai foi poeta sem nunca ter escrito um único verso.
Poeta do amor mais puro e profundo que já vi.

No dia em que completei trinta anos
mandou buscar para minha mãe a orquídea mais bonita de Jundiaí.
O cartão dizia que há trinta anos ela o tinha feito, pela primeira vez,
o homem mais feliz do mundo
(sou o primeiro filho deles).
Minha mãe disse com todo encanto do mundo:
- Como você é bobo, Milton! E riram um riso casto.

Minha irmã caçula, depois de onze outros partos de minha mãe,
nasceu no dia nove de maio de mil novecentos e setenta e um
(dia das Mães, naquele ano).

Meu pai deu a ela o mesmo nome de minha mãe Regina – Rainha.
Quando chegou com a certidão de nascimento em casa
minha mãe com o mesmo encanto de sempre disse:
- Como você é bobo, Milton! E riram um riso casto.

Quando estou muito triste gosto de imaginar
o quanto de poesia ele fez entre o primogênito e a caçula deles. E rio. Apenas rio.

Com eles aprendi que poetas são bobos.

0 comentários:

Postar um comentário

POEMEM-SE SEMPRE!
SEJAM BEM-VINDOS!

Fale Conosco!

Nome

E-mail *

Mensagem *

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | Macys Printable Coupons