28 setembro 2010


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A ÁRVORE DA VIDA

Do pequeno alfobre, que unidos semeamos,
Juntos vimos brotar a árvore da vida.
À sua sombra amiga, vivemos e amamos,
Vímo-la de flores, nas primaveras, exaurida!

Do seu perfume excelso, nos inebriamos,
Quando em corolas pendia a beijar o chão...
Eram lindas, sim, as primaveras que ansiamos,
Que unidos vimos, tendo unido o coração.

Quão frondosas copas - se recordo ainda,
Deliciavam em sombras, os quentes verões,
Que eu e tu, num arroubo de alegria infinda,
Passávamos, felizes, a declamar Camões!

Magnífico idílio, vivia então nossa existência,
Mas, recordo bem, maior do que o verão,
Era o amor tão forte, a tomar-nos, sem clemência,
O corpo, o cérebro, a alma e a razão!

No outono a nossa árvore, cinzenta se despia,
Elevando os galhos nus, tão súplices, ao céu,
E às carícias do vento, insólita, gemia,
Ostentando toda essa nudez como maior troféu!

E nesse transe, a força do vento que zunia,
Revolta, levantava suas folhas mortas...
E esse furacão, do pó do chão se ungia,
Indo amansar, adiante, nos córregos das hortas.

Mas quando agreste, com novas folhas se vestia,
Prenhe de frutos verdes, minúsculos, a despontar,
Era a presença de Deus, que junto dela se sentia,
E quanto bem fazia a gente se deixar ali ficar.

Cada inverno nos viu ao pé dela agasalhados,
Tanto frio fazia, mas cúmplices, amantes,
Trocávamos beijos, que se fossem somados,
Dariam um décuplo de estrelas cintilantes!
- Essas estranhas luzes, pelo céu errantes -

Esse portento que plantamos, tornou-se milenar...
Cobriu-se o solo, ao seu redor, de urzes...
E em seu materno abrigo, unidas, a rezar,
Jazem, nossos nomes gravados, duas cruzes!


Mírian Warttusch
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