09 janeiro 2010

Sentimento Sem Nome







Quando me propus a fazer uma especialização em filosofia, minha intenção primeira era a de encontrar respostas. Não respostas profundas às questões primordiais, mas sim respostas aparentemente simples às perguntas apenas relevantes, nunca fundamentais: Como se deu o início do pensamento filosófico? Como o ser humano pôde evoluir de um mero caçador/coletor para um ser tão mentalmente complexo? Possuo em mim ainda tais questionamentos e, aos poucos, verifico que respostas não encontrarei em livros, mas as encontrarei com o debate de idéias.

Descrever um sentimento sem nome é mais uma prova de que a Filosofia curso não propicia respostas fáceis, mas de, ao contrário, traz ainda mais contradições ao pensamento burocrático e pragmático que desenvolvi com os anos de estudos superficiais. Pois bem, passo agora ao cerne do problema: como descrever um sentimento sem nome. Esse sentimento existe de verdade? Se existe, como pode não ter sido ainda denominado? Serei eu tão auto-suficiente e confiante para identificar, sintetizar, catalogar e, ao final, denominar um sentimento? Creio ser esta tarefa muito além das minhas capacidades intelectuais, todavia, como boa negociadora que sou, busquei dentro de mim algo que tenha já sentido e que não tenha “compreendido” formalmente, dentro da educação enquadradora que feriu de morte a imaginação de toda minha geração.

Retomando por esse caminho de olhar para dentro, muito mais como criança do que como ZigueZague, não necessitei ir muito longe para identificar um sentimento que desconheço a sua palavra definidora, o qual passo a descrever.

Em verdade, esse sentimento que ouso chamar de “novo” é uma total mescla de tantos outros já conhecidos e nominados, o quais, solitariamente, não me traduzem tudo o aquilo que senti ao vivenciar experiências.

Imagine-se a 5,600 metros de altitude, em um lugar frio, com sol abundante, vegetação de pradaria; um imenso cânion à sua frente, muito abaixo um rio caudaloso. Não há nada neste lugar que remotamente lembre a civilização atribulada do século XXI. Há somente o vento frio e cortante, as cores vivas dos campos elevados em terraços, que demonstram haver mais de mil variações entre o marrom escuro e o verde claríssimo.

Ao fundo um leve ruído do rio congelante que serpenteia a cadeia de montanhas. Por este caminho nada mais além de vegetações e pedras. Pedras colocadas umas em cima das outras; pedras pequenas que formam pequenas pirâmides pré-colombianas. E são tantas dessas “edificações” ao caminho que se perdem ao infinito da vista humana. Cada uma delas foi ali disposta por todos aqueles viajantes que já passaram pelo mesmo chão onde agora estamos remontando a tempos imemoriais. E você, um nada na imensidão do mundo, está ali, vislumbrando tudo isso, sentido a vastidão do lugar, percebendo como que se cada antepassado que ali deixou sua pedra, seu pedido e sua vida, lhe desse a oportunidade de se sentir um pouco parte daquela história. Sua presença gera um sentimento indizível: uma plenitude incompleta, um amor quase doloroso, uma gratidão por existir, um respeito por tudo aquilo que jamais chegaremos a compreender de fato. Enfim, uma vontade de sucumbir àquela terra, de se deixar fundir àquela grande imensidão para poder desfrutar da honra e da alegria de se transmutar em algo quase divino.

Este sentimento sem nome advindo dessa experiência real e nunca completamente traduzível é sentido, revivido e continua a emocionar: assim, mesmo sem as amarras de um nome, de uma designação ou um símbolo que expresse todo o Ser e o Estar do momento ímpar vivenciado, o sentir é um Ser que habita e se move dentro de mim, ainda gerando perplexidade, alegria, uma avalanche de cores e um respeito profundo. Como dito anteriormente, é a mescla disso tudo que faz surgir este novo sentir sem o seu correspondente, e limitante, definir

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