29 setembro 2014

Primeira manhã de primavera


Primeira manhã de primavera
(André Anlub® - 28/9/14)

Colibris, (pra variar um pouquinho)
Hoje Beltrano irá chamá-los assim:
Voam belos e ligeiros, são charmosos e bem-vindos,
Vivem indo e vindo e vivem muito bem,
Pois tocam e beijam íntimos festeiros.

Os colibris não carregam em si os “desvirtuares”:
Misteriosos orbes novéis que são vomitados das telas,
Das tecnologias, das palavras tortas de bocas malditas com suas ganancias...
Da sensação de ser maior, por ter o privilégio do raciocínio.

É sabido das pragas que imputam em nossas mentes desde a infância.
Podem fazer-nos pensar diferente e fazer-nos perder a sensibilidade,
Muitas vezes a ternura, a tolerância e a individualidade.

Mas, voltemos aos colibris e afins:
Beltrano quer agora o “tanque cheio” da sensação absurda de harmonia.
Olha a majestosa árvore no alto da montanha,
Tamanha; sem precisar provar nada a ninguém,
Dona de tudo e todos, pois é uma diva com todos e sozinha:
Então ele exige a escrita madura,
O coração que imerge no pleno de ser do seu jeito.

Já se passaram quatro, de repente cinco, pássaros desses,
E pousam, pousam e ousam no fio de luz como quem descansa no plácido.
Já avistou também dezenas de árvores assim...
Não querem plateia;
Não querem os olhares de quem os admira,
Pois correm o risco de errarem,
De estarem ao lado da inveja.

Hoje Beltrano abaixou o estilingue,
Nessa primeira manhã de primavera,
Foi pra casa abocanhar um sanduiche
De frango, alface e “mozzarella”.

Solidão ...


Solidão ...

Eu gosto do som
Do som da sua alma
Gosto de sentir a sua alma 
E tudo que nela abriga
Mesmo que não me sinta
Mesmo que nada de mim
Fique em você
Mesmo que confusa eu insista
E você incrédulo deixe
A solidão em mim...
E é assim que sinto
É assim que fico...

DúKarmona®

du-karmona.blogspot.com

16 setembro 2014

Manoel de Barros


Manoel de Barros nasceu no Beco da Marinha, beira do Rio Cuiabá em 1916. Mudou-se para Corumbá, onde se fixou de tal forma que chegou a ser considerado corumbaense. Atualmente mora em Campo Grande. É advogado, fazendeiro e poeta. Escreveu seu primeiro poema aos 19 anos, mas sua revelação poética ocorreu aos 13 anos de idade quando ainda estudava no Colégio São José dos Irmãos Maristas, Rio de Janeiro. Autor de várias obras pelas quais recebeu prêmios como o “Prêmio Orlando Dantas” em 1960, conferido pela Academia Brasileira de Letras ao livro “Compêndio para Uso dos Pássaros”. Em 1969 recebeu o Prêmio da Fundação Cultural do Distrito Federal pela obra “Gramática Expositiva do Chão” e, em 1997 o livro “Sobre Nada” recebeu um prêmio de âmbito nacional.


Por viver muitos anos dentro do mato
Moda ave
O menino pegou um olhar de pássaro -
Contraiu visão fontana.
Por forma que ele enxergava as coisas
Por igual
como os pássaros enxergam.
Manoel de Barros

As experiências infantis, guardadas na memória, chegam à equivalência de poesia pelas mãos de alguns poetas. A infância é um lugar onde o poético surge de brincadeira. Nela encontramos fecundo material para o fazer poético, pois ali temos o espanto com as coisas “óbvias” da vida. A linguagem está ainda naturalmente brincando na sua formação. Por isso, há uma fluente transgressão linguística, o que muito serve à poética das "despalavras", tão percorrida por Manoel de Barros.
O poeta mato-grossense trilha por passos que avançam para o "criançamento" na seu ato poemático. O eu lírico de seus poemas – não poucas vezes – é criança que se lança nas sagas das palavras-brinquedos, montando sua poesia como um jogo de lego.
O escritor é autor de vários livros, dentre eles: Exercícios de ser criança, Cantigas para um passarinho à toa e Poeminha em língua de brincar; onde recobra suas infâncias (reais e imaginárias). Um dos seus versos apontam o porquê dessa sua desenvoltura: “Com certeza, a liberdade e a poesia a gente aprende com as crianças”. A infância é fonte de "aprendências" para o poeta. Lá, a imaginação fecunda não tem as prisões da vida adulta, tão pragmática.
A criança retratada nos versos de Manoel de Barros é aquela disposta a peraltices, a invenções: “Gostei mais de um menino que carregava água na peneira”. Os inventos do seu eu lírico percorre as "inutilezas" do imaginário e ganha olhar vesgo de criança; por isso, atinge a dimensão de poesia: “As cigarras derretiam a tarde com seus cantos”.
Nos versos do poeta penetram imagens da fauna e da flora de sua terra de quando criança. Vaga-lume, cigarra, andorinha, borboleta, figueira e lírios compõem o mosaico natural de seu quadro lírico. Comumente, na sua escrita, os seres que tem importância são ínfimos. 
por Weslley Moreira de Almeida 


No descomeço era o verbo.
Só depois é que veio o delírio do verbo.
O delírio do verbo estava no começo, lá onde a
criança diz: Eu escuto a cor dos passarinhos.
A criança não sabe que o verbo escutar não funciona
para a cor, mas para som.
Então se a criança muda a função de um verbo, ele
delira.
E pois.
Em poesia que é voz de poeta, que é a voz de fazer
nascimentos —
O verbo tem que pegar delírio.


O mundo meu é pequeno, Senhor.
Tem um rio e um pouco de árvores.
Nossa casa foi feita de costas para o rio.
Formigas recortam roseiras da avó.
Nos fundos do quintal há um menino e suas latas
maravilhosas.
Todas as coisas deste lugar já estão comprometidas
com aves.
Aqui, se o horizonte enrubesce um pouco, os
besouros pensam que estão no incêndio.
Quando o rio está começando um peixe,
Ele me coisa
Ele me rã
Ele me árvore.
De tarde um velho tocará sua flauta para inverter
os ocasos.



08 setembro 2014

MIA COUTO


MIA COUTO

Nascido em Beira, Sofala, Moçambique, no dia cinco de Julho de 1955, António Emílio Leite Couto (Mia Couto) tem sua primeira formação académica em Biologia. Fez os estudossecundários na Beira e frequentou, de 1971 a 1974, o curso de Medicina em Lourenço Marques (actualmente, Maputo), onde se vivia um ambiente racista muito vincado. Por esta altura, oregime exercia grande pressão sobre os estudantes universitários. O conjunto destas circunstâncias leva-o a colaborar com a FRELIMO (Frente de Libertação de Moçambique), partido marcadopela luta pela independência de Moçambique de Portugal.
Após a Independência Nacional, em 1975, ingressou na actividade jornalística, dirigindo três veículos de comunicação: Agência de Informação de Moçambique (1976 a 1979), Revista Tempo(1979 a 1981) e Jornal Noticias (1981 a 1985). Abandonou a carreira jornalística voltando a ingressar na Universidade para, em 1989, terminar o curso de Biologia, especializando-se na área deEcologia. A partir daí mantém colaboração dispersa com jornais, cadeias de Rádio e Televisão, dentro e fora de Moçambique. Hoje realiza a sua profissão como biólogo na   área de estudos deimpacto ambiental.

Mia Couto é hoje o autor moçambicano mais traduzido e divulgado no estrangeiro e um dos autores estrangeiros mais vendidos em Portugal (num total de mais de 400 mil exemplares). Colabora desde há primeira hora com o grupo teatral da capital de Moçambique “ Mutumbela Gogo ” e escreveu (ou adaptou) diversos textos que foram representados por este grupo deteatro. Livros seus (como a Varanda do Franjipani e contos extraídos de Cada Homem é uma raça ) foram adaptados para teatro em Moçambique, Portugal e Brasil. Em finais de dezembro de 1979, no Casale Garibaldi, de Roma, representou-se a peça “A princesa russa”, adaptação para palco do conto com o mesmo título, incluído em “ Cada homem é uma raça”.


Quatro poemas de Mia Couto


O BAIRRO DA MINHA INFÂNCIA

Não são as criaturas que morrem.
É o inverso:
só morrem as coisas.
As criaturas não morrem
porque a si mesmas se fazem.
E quem de si nasce
à eternidade se condena.
Uma poeira de túmulo
me sufoca o passado
sempre que visito o meu velho bairro.
A casa morreu
no lugar onde nasci:
a minha infância
não tem mais onde dormir.
Mas eis que,
de um qualquer pátio,
me chegam silvestres risos
de meninos brincando.
Riem e soletram
as mesmas folias
com que já fui soberano
de castelos e quimeras.
Volto a tocar a parede fria
e sinto em mim o pulso
de quem para sempre vive.
A morte
é o impossível abraço da água.
***

FRUTOS

A bondade da mangueira
não é o fruto.
É a sombra.
A térrea,
quotidiana,
abnegada sombra:
no inverso do suor colhida,
no avesso da mão guardada.
Há a estação dos frutos.
Ninguém celebra a estação das sombras.
Assim, o amor e a paixão:
um, fruto; outro, sombra.
A suave e cruel mordedura
do fruto em tua boca:
mais do que entrar em ti
eu quero ser tu.
O que em mim espanta:
não a obra do tempo
mas a viagem do Sol na seiva da árvore
A arte da mangueira
é a veste de sombra
embrulhando o seu ventre solar.
Para o homem
vale a polpa.
Para a terra
só a semente conta.
***

NÚMEROS

Desiguais as contas:
para cada anjo, dois demónios.
Para um só Sol, quatro Luas.
Para a tua boca, todas as vidas.
Dar vida aos mortos
é obra para infinitos deuses.
Ressuscitar um vivo:
um só amor cumpre o milagre.
***

TRISTEZA

A minha tristeza
não é a do lavrador sem terra.
A minha tristeza
é a do astrónomo cego.

[in Tradutor de Chuvas, Caminho, 2011]



06 setembro 2014

03 setembro 2014

“Exposição Letra Imagem”


Evento promovido pela companhia de Arte e cultura, no Restaurante Jam jardins, no dia 25 de agosto, foi regado a refinado coquetel e encontros super especiais entre artistas plásticos e poetas, recepcionados pelo curador Paco de Assis, junto com sua esposa Eliana Tsuru.
Foi gratificante ver ativistas e escritores do movimento Poemas à Flor da Pele, serem prestigiados e vitoriosos no evento. As grandes damas Poemas em destaque foram Dyandreia Portugal (Jornal Sem fronteiras), mestre de cerimônias, Basilina Pereira (DF), primeiro lugar no concurso com seu poema Paraíso das Gaivotas (obra de mesmo nome de Adina Worcman) e Doroty Dimolitsas, Coordenadora Geral São Paulo, Poemas à Flor da Pele, que recebeu Menção Honrosa pelo poema da obra Congada de Silvana Borges.
Destacaram-se Flavia Assaife (RJ) o 2º lugar (obra Solidão do mar de Ambrosina Costa) e Menção honrosa ao poeta Edvaldo Rosa com o poema A rosa (obra de Carmen F Fonseca).
Tive a honra de ilustrar com meu poema, a obra “Colhedora de flores” de Thereza Toscano e Claudete Silveira (RS), Diretora Geral Poemas, com o Simbiose para a obra “Baiana” de Maria Araujo. Participaram, ainda, Ceres Marylise (BA) com o poema À mulher (obra reflexão de Sylvia Moore) e Roberto Ferrari (SP) com o poema Espelho do amor (obra Reflexo e paixão de Ana Bittar).
Participaram da entrega dos prêmios o queridíssimo casal Arlete Trentini dos Santos e JC Bridon (SC).

Soninha Porto
Poemas à Flor da Pele
heisoninha@gmail.com



Basilina Pereira (DF), escritora, grande vencedora da noite com a obra Paraíso das Gaivotas de Adina Worcman
Claudete Silveira, Porto Alegre/RS  e o seu poema Simbiose
Dora Dimolitsas (SP),  Menção honrosa entregue por Eliane Tsuru

Dyandreia Cultural, comanda a premiação, ao lado do curador Paco de Assis e esposa Eliane Tsuru e a colunista do Jornal Sem Fronteiras 
Arlete Trentini dos Santos

Edvaldo Rosa, Menção honrosa com o poema da obra 
Rosa de Carmen F Fonseca.




Maria Araújo, artista plástica e o casal anfitrião Eliane Tsuru e Paco de Assis


Maria Araújo com a obra Baiana


Arlete Trentini dos Santos e JC Bridon com Dora Dimolitsas e Soninha Porto

Os primeiros lugares de  sócias Poemas
Basilina Pereira e Flavia Assaife

ANA BITTAR com a obra Reflexo e paixão
ROBERTO FERRARI (SP)e o seu poema Espelho do amor 
Silvana Borges e a obra Congada

Soninha Porto Presidente da 
Associação Cultural Poemas à Flor da Pele

Thereza Toscano, artista plástica,  e a obra “Colhedora de flores”

"Colhedora de flores" deThereza Toscano

Fale Conosco!

Nome

E-mail *

Mensagem *

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | Macys Printable Coupons