12 julho 2020

A surpresa no confinamento

Sabe esses tempos de estar reclusos?
Escrever e ler mais ainda, se introspectar mais ainda, mascarar-se para cuidar do ar
que respira e o ar do outro.
Não há abraços, beijos, nem na família, sem eventos, sem encontros, sem trocas, ai

que momentos estranhos, limitadores!
O que fazer?
Só o virtual salva.
A sensação de estar compartilhando vida, quando a vida está passando lá fora e não
está mais ao alcance das mãos, aliás, mãos que devem estar higienizadas, regadas
a álcool gel para tocar o que for.
A tristeza vem, inevitavelmente, junto com a sensação de impotência diante de tantas

tragédias que essa pandemia trouxe aos nossos sentidos!.
Saudade de respirar livre, de ser tocada pelo sol, de sentir o vento em seu rosto e seus
cabelos, a simplicidade de viver; Simples assim.
De repente um convite, alguém te puxa pela mão e quer te ouvir, quer compartilhar
teus momentos com o mundo.
Pensei, é comigo mesmo? Era, a querida amiga, Gisele Sant Ana Lemos, carioca,
psicóloga e organizadora de revistas de poesia, estava ali me chamando para seu novo
programa na TV Capital Rio, Poesia e Prosa, coordenado por Carlos Rocha.
Que alegria senti e to muito emocionada, chorona mesmo, por ter sido lembrada,
por me tirar dessa clausura forçada, para viver este momento especial, que falo de mim
e da Poemas à Flor da Pele que amo,
Gratidão por este presente, alegrou meus dias de confinamento, tocou meu coração
e fará parte da minha história.


09 julho 2020

40 anos sem o poetinha (*)

Há exatos 40 anos, silenciava-se, em uma casa no bairro da Gávea, no Rio de Janeiro, um dos nomes mais singulares da música e da literatura brasileira. Vinicius de Moraes, que nasceu com o nome de Marcos Vinicius de Melo da Cruz Moraes, morreu de edema pulmonar, aos 66 anos, em 9 de julho de 1980.
Diplomata, escritor, compositor e cantor, o Poetinha foi um dos maiores nomes da cultura popular do País pelo mundo afora
Além de poeta e compositor, foi diplomata no Itamaraty e passou grande parte da vida no exterior, o que lhe aproximou de diversas personalidades artísticas como Orson Welles e outros nomes de Hollywood. No documentário Vinicius (2005), disponível na Netflix e dirigido por Miguel Faria Júnior, amigos revelam em entrevista que, segundo regras estabelecidas pelo Ministérios das Relações Exteriores, ele só poderia cantar, enquanto diplomata, se estivesse vestindo terno e gravata, e que não poderia receber cachê pela apresentação.
Aos 56 anos, foi exonerado do cargo após a publicação do AI-5 durante o regime militar. "Mesmo quando no exercício de missões diplomáticas em outros países, o poeta da paixão nunca esqueceu o Brasil. O amor pelo País, bastante focado no Rio, ganha corpo em toda a obra, entranha-se na cultura por ele deixada e transformada", afirma a ex-professora do Instituto de Letras da Ufrgs, Maria do Carmo Campos.
A genialidade e a intensidade de Vinicius acompanhavam a abrangência de seu trabalho. Intenso, escrevia com gana à vida, à paixão e a todos os sentimentos sofríveis do ser humano. Em seus poemas e sonetos, usava a estrutura tradicional da poesia para falar uma linguagem universal, de fácil compreensão.
Em talvez seu poema mais famoso, o Soneto de fidelidade, Vinicius perpetuou uma das mais célebres frases de amor da literatura brasileira: "Que não seja imortal, posto que é chama; Mas que seja infinito enquanto dure". O poema foi composto para sua primeira esposa, enquanto esperava um navio em Portugal, no ano de 1939.
A pós-doutora em crítica de poesia Mires Bender explica a composição que constrói os versos de maneira tão palpável a quem os lê: "Ele segue a estrutura básica do soneto petrarquiano, o qual apresenta uma sequência de estágios em que os dois primeiros quartetos fazem surgir e crescer uma expectativa e os dois tercetos apresentam uma progressão para o desfecho".
A pesquisadora também relata que Vinicius talvez tenha sido o poeta moderno que mais explorou a forma concisa do soneto: "Seu caráter de sonoridade deve ter chamado a atenção deste poeta tão ligado à música. Vamos encontrar com frequência aquilo que os poetas denominam 'pedras de toque', que são versos de alto valor poético. É interessante observar que os sonetos de Vinicius seguem a composição camoniana, não só nos temas", relata Mires.
Além da própria bossa nova, Vinicius contribuiu intensamente para a visibilidade da cultura brasileira no exterior. Um de deus grandes trabalhos foi a peça Orfeu da Conceição, encenada em 1965. A história é uma adaptação do mito grego de Orfeu e Eurídice, uma odisseia amorosa com um final trágico.
Nesta versão escrita por Vinicius, o romance acontece em uma favela no Rio de Janeiro durante o Carnaval, e contou com um elenco inteiramente formado por pessoas negras. Foi a primeira vez que atores pretos pisaram no palco do Teatro Municipal do Rio. "Vinicius tirou a poesia de círculos herméticos e levou ao alcance do povo. Mas, principalmente, o poeta engajou pessoas, dentro e fora do Brasil, à sua disposição em romper com preconceitos de raça e de classe", declara Mires.
Levando Eurídice e Orfeu cariocas para voos internacionais, a peça também virou filme, com produção de Vinicius e dirigido pelo francês Marcel Camus. O título Orfeu Negro (1959) ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e a Palma de Ouro no Festival de Cannes. Com cenário de Oscar Niemeyer e música de Antonio Carlos Jobim, foi um dos primeiros de muitos trabalhos conjuntos de Vinicius e Tom, dando início a uma amizade que se perpetuaria para fronteiras além do Brasil com o surgimento da bossa nova e, mais tarde, em 1962, com a clássica Garota de Ipanema.
(*) matéria da jornalista Roberta Requia, publicada no Jornal do Comércio, link com a reportagem completa abaixo

A música mexe um eu ocioso

o som da guitarra liberta
o corpo apático
a voz ao longe estremece-o
libera eixos e memórias
persuade a movimentos débeis
antes tão firmes
---------------------hoje tão inábeis

"Redescobrindo minha Biblioteca", dia 09 de julho de 2020..




O pequeno livro "Vinte Poemas de Amor," de Luiz Coronel, ilustrado em grafite, que fala
de amor, sob todas as formas, é de uma delicadeza ímpar, que nos faz vibrar e viver
suas lindas figuras de linguagem.
Lembra-me do momento alegre e descontraído que vivi, na Feira do Livro de Porto Alegre,
em 2018, ao encontrá-lo na Praça da Alfândega, onde trocamos livros e, abusadamente,
autografei o meu, do Livro em Branco para ele, se mete!
Sim, uma aprendiz de poeta corre riscos, de passar seus textos para um brilhante autor, 

mas o impulso foi mais forte, tiramos fotos e tudo.
São momentos que ficam para sempre, por estar ao lado de um ícone da literatura 

Rio-grandense.
É simpatissíssimo e contador de piadas, o poeta, compositor e publicitário, nascido em 

Bagé/RS, em 1938. Rimos bastante com seus "causos".
Tenho também o seu "Pensamentos Azuis," de 1978, o primeiro que li do autor, e olhando

sua biografia,é impressionante sua obra, com livros de poemas, de temas gauchescos e 
também como dicionarista, É show!
Escolhi um que vesti a carapuça (aiaiaiai):
Fugas & Culpas, página 33.
Se a felicidade
não veio,
não se ponha a maldizer
o pão
e o vinho.

Sem agendas
ou mapas,
a felicidade se perde
a dançar
pelos caminhos.

Se os sonhos
naufragaram,
credite às ondas
e ao vento.

Se o amor
não deu certo,
a culpa é das flores
que nunca chegam
a tempo.

Procurando um pouco mais sobre este autor, achei no site de Antonio MIranda, vários regionais, selecionei este:
POLEIROS

A galinha nuvem-branca
pôs um ovo, lua cheia.
Uma ninhada de estrelas
na relva do céu passeia.
Galo-sol, penas doiradas
abre as asas, nasce a aurora.
As nuvens mudam de penas
quando a neve cai lá fora.
Nuvem-branca cobre a lua
ta chocando mais um pinto.
Madrugada tá clareando.
É mais um galo. Pressinto.

Nenhuma descrição de foto disponível.

30 junho 2020

Do livro em branco - Soninha Porto


Quando loucos poetas se encontram
o verso vira do avesso
vira santa poesia
as veias inflam e pulsam
aos sons do rock se agitam
e vertem aromas inebriantes
rasgam as tintas das canetas
desenham veios de palavras
e mancham a folha branca.
Agitam os ágeis dedos no teclado
transfigurados pelo amor
ou amargor (o que der na veneta)
os tons são o fascínio dos poetas
nuances que sinalizam
marcas de almas inquietas
do indócil bailar flamenco
dos corpos que se completam
ecoam na página os sapateados.
Buscam Deus, deuses e adeuses
um corpo que crepita no inferno
ou o ser divinal que viaje ao paraíso
desejos insanos
o segredo profano
e o refúgio de todos os santos
mesmo sangrando no livro em branco
estão à espera
de faces obscuras e verbos in/diretos.
Colhem sombras e sobras das horas
do que brote do vazio ou do tudo
no livro em branco fazem nascer
viagens (memórias)
dias e noites
magia e brandura
rastreiam a lua mais nua
numa têmpera enluarada
a reluzir em vida irrisória.
Mascaram e desenham amores
gestos in/quietos
pequenos grandes gigantes
anseiam eliminar o peso dos corações
a amargura com gosto de fel
a ausência do prazer doce feito mel
apuram palavras vibrantes
consoladoras de homens
para penetrarem o diletante.
Os poetas derramam do canto dos olhos
o contraditório – enfim –
acentuam a agudeza do espírito em nós
no livro em branco
espalham o não e o sim
num voo rasante de forças intrigantes
num contrafluxo esculpem
estilos, mitos, simbologias,
vieses para nutrir caminhantes.
Soninha Porto
A imagem pode conter: 1 pessoa, noite
Agitando no Centro Cultural São Paulo, no aniversário Poemas, 2015!
Figuraça! hehehehehe
Falando o Poema O Livro em Branco! Eu sabia de cor...

29 junho 2020

"Redescobrindo minha Biblioteca". (29/06/2020)

Encontrei o pequeno livro Haikais em setembro, organizado por Tererezinha Manczack.
Possivelmente trocado no Congresso de poesia de Bento.É uma delicadeza, com páginas
ilustradas de flores e versos belos sobre a natureza, amei!

Selecionei o de Terezinha Manczak, página 45.

lavoura de maio
arado em terra batida
promessa de pão

E o do amigo poeta Tchello d'Barros, página 50:

o rio leva o galho
passaeando de carona
vai um passarinho


Nenhuma descrição de foto disponível.


28 junho 2020

Poema em tempos de pandemia: Brumas

Brumas
Entre o azul roxo e cinza
vislumbre do poeta ranzinza
isolado saturado  esfomeado
--------nas lides das rimas

A imagem pode conter: texto que diz "Brumas Entre o azul roxo e cinza vislumbre do poeta ranzinza isolado saturado esfomeado lides das rimas CartbesAm daPoesie (Soninha Porto)"

    Formatação Débora Malucelli do Cartões Amantes da Poesia

"Redescobrindo a minha biblioteca". (25/06/2020)



Descobri perdido entre meus livros esta preciosidade:
Poesia sem pele de Lau Siqueira, gaúcho de Jaguarão, que mora na Paraíba.
Seus poemas säo visuais, usa formatos diferenciados e símbolos pontuais que
desenham os poemas. Cria palavras que podemos facilmente compreender a
inspiracao do poeta. É brilhante. Selecionei os que me tocaram:
poetria
poema é face descoberta
de tudo que pulsa
poema é atitude permanente
em tudo que passa
(que massa)
------------------------------------------------
risos do vento
folia das folhas
no quintal
------------------------------------------------
conceito
não alongo
poemas
apenas curto
no máximo
s u r t o

Nenhuma descrição de foto disponível.

Fale Conosco!

Nome

E-mail *

Mensagem *

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | Macys Printable Coupons